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  • Terremotos na Tailândia e Mianmar: Sinais Proféticos do Fim dos Tempos? | Análise Bíblica e Científica

    Terremotos na Tailândia e Mianmar: Sinais Proféticos do Fim dos Tempos? | Análise Bíblica e Científica

    O Aumento de Terremotos e as Profecias Bíblicas

    Sinais Proféticos do Fim dos Tempos

    Os Sinais Proféticos do Fim dos Tempos mostra os recentes terremotos que devastaram Mianmar e a Tailândia, com magnitude 7.7 e 5.1, deixando mais de 1,7 mil mortos e milhares de feridos, não são apenas tragédias naturais, são eco das palavras de Jesus sobre os “sinais do fim” (Mateus 24:7) sinais proféticos do Fim dos tempos. O geólogo Dr. John Milligan, citando dados do Serviço Geológico dos EUA (USGS), confirma que o aumento de abalos sísmicos em regiões pouco habituadas, como a Tailândia, é cientificamente relevante 1. A Bíblia descreve esses eventos como “dores de parto” (Romanos 8:22), alertas de que a criação geme sob a expectativa da redenção.

    A Fragilidade Humana Revelada Pelos Abalos

    Em Bangkok, a mais de 100 km do epicentro, edifícios desabaram, revelando nossa vulnerabilidade diante das forças da natureza. O teólogo Dr. Mark Finley, autor de “O Tempo do Fim”, destaca como esses eventos cumprem Lucas 21:25-26, que fala sobre nações perplexas diante de fenômenos cósmicos. Fenômenos como a liquefação do solo – onde a terra se comporta como líquido durante os tremores – e os devastadores deslizamentos em Mianmar ilustram dramaticamente como a própria criação parece gemer, aguardando a redenção final.

    Avisos Proféticos e a Ilusão de Segurança

    Sinais Proféticos do Fim dos Tempos

    Ellen G. White, em “Eventos Finais” (p.11), previu que catástrofes naturais aumentariam em frequência e intensidade antes do retorno de Cristo. O colapso de um arranha-céu em construção na Tailândia, país com pouca tradição sísmica, serve como alerta contra a falsa segurança humana. O engenheiro Christian Málaga-Chuquitaype explica que a falta de preparo em cidades como Bangkok reflete exatamente o tipo de complacência que Jesus advertiu em Lucas 12:39-40 – a ideia perigosa de que temos tudo sob controle.

    Chamado à Preparação Espiritual Urgente

    Enquanto cientistas estudam padrões sísmicos e governos buscam melhorar infraestruturas, a Bíblia nos convida a uma preparação mais profunda. Assim como os moradores da Tailândia e Mianmar foram pegos de surpresa, muitos continuam vivendo como se o amanhã fosse garantido. Jesus nos exorta: “Vigiai, pois não sabeis o dia nem a hora” (Mateus 25:13). Estes eventos não são motivo para pânico, mas para reflexão – nossa vida precisa estar alicerçada na única Rocha inabalável (Salmo 18:2). O momento de buscar essa segurança eterna é agora, antes que a próxima crise nos encontre despreparados para Sinais Proféticos do Fim dos Tempos

    “Porque, assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra até no ocidente, assim será também a vinda do Filho do Homem.” – Mateus 24:27

    E Agora, Você!

    Os terremotos na Tailândia e Mianmar nos fazem pensar: como estamos preparados para os sinais dos últimos dias?

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    • O que esses eventos despertam em você

    • Como tem sido sua preparação espiritual diante das incertezas do mundo?

    Deixe sua opinião e vamos juntos refletir sobre o chamado urgente deste tempo!

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    “Eis que venho sem demora; guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa.” (Apocalipse 3:11)

    (Seus comentários enriquecem nossa comunidade! Vamos aprender juntos!)

    #FimDosTempos #Terremotos #EstudoBíblico #CompartilheReflexão

  • A Importância da Escola Sabatina: Uma Lição Semanal de Fé e Comunhão

    A Importância da Escola Sabatina: Uma Lição Semanal de Fé e Comunhão

    estudo da lição da escola sabatina

    É um dos pilares da vida espiritual para milhões de adventistas ao redor do mundo. Mais do que uma simples aula bíblica, representa um momento de aprendizado, reflexão e fortalecimento da fé. Neste artigo, exploraremos sua estrutura, benefícios e como ela pode transformar vidas. Além disso, você descobrirá por que esse estudo semanal é essencial para o crescimento cristão.

    O Que É a Escola Sabatina?

    Um programa de estudo da Bíblia que acontece aos sábados, antes do culto principal. Dividida em classes por faixa etária, ela oferece um espaço para discussão, interação e aprofundamento nas Escrituras. Cada trimestre, um novo tema é abordado, garantindo variedade e relevância para os participantes.

    Portanto, é meticulosamente preparada por teólogos e estudiosos, garantindo um conteúdo rico e alinhado com os princípios adventistas. Dessa forma, os membros da igreja têm a oportunidade de crescer no conhecimento bíblico de maneira organizada e dinâmica.

    A Estrutura

    Sua divisão é feita em dias, facilitando o estudo diário da Bíblia. Veja como ela é organizada:

    1. Introdução Semanal – Apresenta o tema central da lição.
    2. Estudo Diário – Cada dia da semana traz um tópico específico, com textos bíblicos e reflexões.
    3. Discussão em Grupo – No sábado, os participantes compartilham insights e aplicações práticas.
    4. Aplicação Prática – Incentiva a vivência dos princípios aprendidos.

    Essa estrutura garante que o estudo não seja apenas teórico, mas também transformador.

    Benefícios

    • Participar traz inúmeros benefícios para a vida espiritual e comunitária. Entre eles, destacam-se:1. Crescimento Espiritual
      Ao estudar a Bíblia diariamente, o cristão desenvolve uma relação mais íntima com Deus. Serve como um guia para entender melhor os ensinamentos divinos.

      2. Comunhão com Outros Cristãos
      Promove a interação entre os membros da igreja. Através das discussões em grupo, os participantes fortalecem laços e aprendem uns com os outros.

      3. Preparação para os Desafios Diários
      A Bíblia oferece orientação para todas as áreas da vida. Ao estudar a lição, o cristão se equipa para enfrentar desafios com sabedoria e fé.

      4. Desenvolvimento do Hábito de Estudo Bíblico
      Muitas pessoas têm dificuldade em manter uma rotina de leitura da Bíblia. A MESMA oferece um plano estruturado, facilitando a disciplina espiritual.

    Como Aproveitar?

    Para extrair o máximo da lição da Escola Sabatina, siga estas dicas:

    Estude Diariamente – Reserve um momento do dia para ler e meditar no conteúdo.
    Participe das Discussões – Compartilhe suas descobertas e ouça as perspectivas dos outros.
    Aplique os Ensinamentos – Leve os princípios bíblicos para sua vida cotidiana.
    Use Materiais Complementares – Livros, comentários e vídeos podem enriquecer seu estudo.

    A Escola Sabatina no Mundo Digital

    Com o avanço da tecnologia, o estudo também se modernizou. Hoje, é possível acessar as lições online, participar de grupos de estudo virtuais e baixar aplicativos dedicados. Isso permite que pessoas de qualquer lugar do mundo se conectem e cresçam juntas na fé.

    Muitas igrejas transmitem as aulas ao vivo, garantindo que mesmo quem não pode comparecer pessoalmente não fique de fora.

    Conclusão: A Escola Sabatina Como Ferramenta de Transformação

    Muito mais que um estudo bíblico semanal  é um instrumento poderoso para o crescimento espiritual. Através dela, os cristãos se aproximam de Deus, fortalecem a comunhão e se preparam para viver os princípios do Reino.

    Você ainda não faz parte dessa jornada? Não perca tempo! Encontre uma classe de Escola Sabatina em sua igreja local e comece a desfrutar dos benefícios desse estudo transformador.

    Se você gostou, compartilhe e leve esse conhecimento a mais pessoas!

    🔹 Gostou deste conteúdo? Deixe seu comentário e compartilhe com seus amigos!

  • O Que Deus Não Pode Fazer? Entendendo os Limites da Onipotência Divina…

    O Que Deus Não Pode Fazer? Entendendo os Limites da Onipotência Divina…

    Você ja se perguntou o que Deus não pode fazer? Quando falamos sobre Ele, é comum ouvirmos que Deus é onipotente, ou seja, todo-poderoso. No entanto, o que isso realmente significa? Será que Deus pode fazer absolutamente tudo? E mais: será que existem coisas que Deus não pode fazer? Essas perguntas podem parecer desafiadoras, mas a Bíblia nos oferece insights fascinantes sobre o assunto. Vamos explorar juntos!

    O Que Significa Ser Onipotente?

    Primeiramente, é importante entender que a onipotência de Deus não significa que Ele pode fazer qualquer coisa, sem limites. Na verdade, a Bíblia nos mostra que há coisas que Deus não pode fazer, não por falta de poder, mas porque essas ações seriam contraditórias com Sua natureza e caráter.

    Por exemplo, em 2 Timóteo 2:13, lemos que Deus “não pode negar a Si mesmo”Isso significa que Deus não pode agir de maneira contrária ao Seu próprio caráter. Em outras palavras, Ele não pode mentir, trair ou agir de forma injusta, porque isso iria contra Sua natureza santa e perfeita.

    Deus Pode Forçar Alguém a Amá-Lo?

    Outro ponto interessante é que Deus não pode forçar ninguém a amá-Lo. Isso pode parecer estranho à primeira vistamas faz todo o sentido quando pensamos no conceito de livre-arbítrioAfinal, o amor, para ser verdadeiro, precisa ser livremente dadoSe Deus forçasse alguém a amá-Lo, isso não seria amor de verdade, seria uma imposição.

    Em Deuteronômio 6:4, 5, vemos o maior mandamento: amar a Deus de todo o coração, alma e força. Esse mandamento só faz sentido se o amor for uma escolha livre. Portanto, Deus deseja que todos O amem, mas Ele respeita nossa liberdade de escolha, mesmo que isso signifique que algumas pessoas O rejeitem.

    A Vontade de Deus e o Livre-Arbítrio

    Aqui, entramos em um tema profundo: a vontade de Deus e o livre-arbítrio humanoA Bíblia nos mostra que nem tudo o que acontece no mundo é exatamente o que Deus deseja. Em Lucas 13:34, Jesus lamenta a rejeição de Jerusalém, mostrando que Deus desejava algo diferente para Seu povo, mas eles escolheram outro caminho.

    Isso nos leva a uma distinção importante: a vontade ideal de Deus e a vontade remediadora de DeusA vontade ideal é o que Deus realmente prefere que aconteça, enquanto a vontade remediadora é o que Ele permite, levando em conta as escolhas livres das pessoas. Em outras palavras, Deus trabalha com o que temos, mesmo quando nossas escolhas não são as melhores.

    O Que Isso Significa Para Nós?

    Entender que Deus não controla tudo de forma unilateral pode ser libertador. Significa que Ele respeita nossa liberdade e que, mesmo diante das más escolhas humanas, Ele ainda pode trazer algo bom. Em Romanos 8:28, lemos que “todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus”Isso não significa que tudo o que acontece é bom, mas que Deus pode usar até mesmo as situações difíceis para nos aproximar dEle.

    Conclusão: O Poder de Deus e Nossa Liberdade

    Então, o que Deus não pode fazer? Ele não pode agir contra Sua própria natureza, não pode mentir, não pode quebrar promessas e, acima de tudo, não pode forçar alguém a amá-Lo. Esses “limites” não são falhas, mas expressões do caráter amoroso e justo de Deus.

    Ao refletir sobre isso, podemos encontrar conforto em saber que, mesmo em um mundo cheio de sofrimento e escolhas erradas, Deus está no controle, trabalhando para trazer o bem a partir de todas as situações. E, mais importante, Ele nos convida a fazer parte desse plano, amando-O livremente e confiando em Sua providência.

    Gostou deste artigo? Compartilhe com seus amigos e deixe seu comentário abaixo! Se você quer se aprofundar mais no tema, não deixe de conferir os textos bíblicos mencionados e continuar explorando o maravilhoso caráter de Deus.

  • Ayrton Senna, Netflix e as Redes Sociais: Um Chamado para Usar Nossa Voz de Forma Significativa

    Ayrton Senna, Netflix e as Redes Sociais: Um Chamado para Usar Nossa Voz de Forma Significativa

    A Netflix recentemente lançou uma série sobre Ayrton Senna, relembrando a trajetória de um dos maiores pilotos de Fórmula 1 da história. Senna não foi apenas um campeão nas pistas; ele era um homem que inspirava com sua fé em Deus, sua dedicação ao trabalho e seu amor pelo próximo. Sua história continua a tocar o coração de milhões, e é justo que seja celebrada. Mas precisamos conversar sobre algo importante: o uso das redes sociais para ganhar audiência em cima de histórias emocionantes como a de Senna.

    A febre das redes sociais: audiência a qualquer custo?

    Quando um tema viral surge, como a série de Senna, é impressionante ver como as pessoas correm para criar conteúdo em busca de curtidas e compartilhamentos. Muitos postam frases do piloto, vídeos de momentos icônicos e até “análises” emocionais, mas nem sempre com a intenção de honrar o legado dele. O foco muitas vezes está em surfar na onda do momento para ganhar relevância.

    Essa prática levanta um ponto crítico: estamos usando nossa voz para agregar valor ou apenas para ser mais um na multidão buscando atenção? É legítimo admirar Senna e compartilhar sua história, mas precisamos nos perguntar: por que estamos fazendo isso?

    A mensagem cristã em um mundo barulhento

    A vida de Senna nos oferece um exemplo poderoso de como usar nossas plataformas com propósito. Ele falava de Deus com sinceridade e vivia como alguém que reconhecia sua dependência do Criador. Senna não usava sua fé para se promover, mas como uma bússola que guiava suas decisões.

    Como cristãos, temos o maior tesouro em nossas mãos: o evangelho. Uma mensagem que não é só emocionante, mas transformadora e eterna. Jesus veio a este mundo para nos salvar, e Ele voltará para reivindicar tudo o que é Seu. Nossa missão deve ser usar as redes sociais para espalhar essa verdade, não apenas para “engajar”, mas para alcançar corações que estão perdidos, carentes de esperança.

    O que podemos aprender com tudo isso?

    • Honre histórias reais: Se for falar sobre Ayrton Senna ou qualquer figura pública, faça isso com respeito e autenticidade. Use essas oportunidades para apontar para algo maior: o amor de Deus.
    • Priorize a verdade eterna: No final das contas, o que realmente importa não são as corridas vencidas ou os recordes quebrados, mas se estamos prontos para o retorno de Jesus. Senna sabia disso, e nós também deveríamos lembrar.
    • Use sua influência para o bem: Em vez de apenas seguir tendências, por que não criar conteúdo que inspire, encoraje e leve outros a refletir sobre sua caminhada com Deus?

    Um convite à preparação

    Seja você um fã de Ayrton Senna ou não, a mensagem permanece: a vida é passageira, mas a eternidade é real. O evangelho nos lembra que Deus, em Cristo, estava reconciliando o mundo consigo mesmo (2 Coríntios 5:19). E Ele voltará para completar essa obra.

    Então, que tal usarmos nossas redes sociais para algo que realmente faça diferença? Não há história mais emocionante do que o plano da salvação e a promessa da volta de Jesus. Prepare-se para esse dia e ajude outros a se prepararem também.

    Afinal, como dizia o próprio Ayrton Senna: “O importante é ganhar. Tudo sempre. Essa história de que o importante é competir não passa de demagogia.” E a maior vitória de todas é estar ao lado de Jesus no dia final.

    Agora é com você! Use sua voz para o que realmente importa.

  • A Parábola do Rico e de Lázaro: Uma Jornada Histórica, Cultural e Exegética

    A Parábola do Rico e de Lázaro: Uma Jornada Histórica, Cultural e Exegética

    A Parábola do Rico e de Lázaro: Uma Jornada Histórica, Cultural e Exegética

    Introdução

    Entre as parábolas de Jesus, o relato do rico e de Lázaro (Lucas 16:19-31) se destaca, tanto pela profundidade quanto pelo mistério que envolve sua mensagem. Se pararmos para pensar, é uma das narrativas que mais mexe com o imaginário popular sobre o destino final da humanidade. Mas o que Jesus realmente quis dizer com essa parábola? Hoje, vamos embarcar juntos numa exploração histórica, cultural e exegética, para entender o que esse texto significa à luz do contexto em que foi contado.

    O Contexto Cultural e Histórico: Quem é o Rico e Quem é Lázaro?

    Para entender qualquer parábola, precisamos mergulhar na cultura judaica da época. Na sociedade judaica do primeiro século, as riquezas eram vistas frequentemente como um sinal de bênção divina, enquanto a pobreza era, muitas vezes, associada a algum tipo de desagrado de Deus. O rico, que se veste de púrpura e linho fino, representava a elite da sociedade, cercado de luxo e privilégios. Lázaro, por outro lado, era um excluído, alguém em extrema pobreza, sem acesso a dignidade e respeito.

    Mas não se engane. Jesus usa essas imagens não para afirmar que a riqueza em si é condenável ou que a pobreza seja um ideal espiritual, mas para ilustrar algo mais profundo sobre justiça e misericórdia. Ele estava, na verdade, desafiando as expectativas comuns de seu público sobre quem são os verdadeiros “abençoados” e o que significa ser aprovado por Deus.

    A Estrutura da Parábola: Imagens e Significados

    A estrutura da parábola também merece nossa atenção. Primeiro, temos uma clara distinção entre o destino do rico e o de Lázaro após a morte. O rico é atormentado, enquanto Lázaro é levado ao “seio de Abraão”. Essa imagem era familiar para os ouvintes de Jesus, uma forma de ilustrar o descanso final em um contexto judaico. Abraão, o patriarca da fé, simbolizava a promessa de bênção, segurança e descanso.

    O contraste, porém, não deve ser interpretado literalmente. Se fosse assim, o “seio de Abraão” seria literalmente um lugar de descanso físico, o que não é o ponto principal da parábola. Jesus estava utilizando uma história conhecida, com símbolos que eram parte do imaginário judaico, para enfatizar uma lição espiritual poderosa: o destino final não é determinado por status ou poder terrenos, mas pela maneira como vivemos em relação aos outros e a Deus.

    Exegese: Uma Análise Cuidadosa das Palavras de Jesus

    À medida que analisamos o texto de Lucas 16, percebemos que Jesus usa uma linguagem intencionalmente figurativa. Ele não estava descrevendo a realidade pós-morte, mas usando uma figura conhecida para o povo. Note, por exemplo, que o texto fala de um “grande abismo” entre o rico e Lázaro. Esse abismo não deve ser entendido como um elemento geográfico, mas sim como um símbolo da separação espiritual e moral entre aqueles que viveram vidas compassivas e os que escolheram a dureza do coração.

    A ideia de uma conversa entre Abraão e o rico também reforça essa perspectiva figurativa. As parábolas geralmente não representam a realidade com precisão literal. Jesus costumava contar histórias com cenas bem exageradas e características de cunho alegórico para ensinar lições profundas de maneira impactante e acessível.

    A Mensagem Central: Um Apelo à Responsabilidade Pessoal

    Por fim, o ponto mais importante é a lição que Jesus queria deixar com essa parábola. Ele encerra com uma observação poderosa: “Se não ouvem a Moisés e aos profetas, tampouco se deixarão persuadir, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos” (Lucas 16:31). Esse trecho é central para compreendermos o verdadeiro propósito do texto. Jesus estava chamando seus ouvintes a reconhecerem a importância das Escrituras e da responsabilidade pessoal que cada um tem de agir com misericórdia, justiça e amor.

    Essa não é apenas uma história sobre o que acontece depois da morte, mas um convite para examinarmos a vida que estamos vivendo agora. Para refletirmos se estamos amando o próximo, se estamos servindo a Deus com integridade, e se temos um coração compassivo e comprometido com a justiça divina.

    Uma forma de aplicar

    A parábola do rico e de Lázaro nos chama a uma decisão. Ela nos desafia a ver além das aparências, a enxergar o valor de cada pessoa e a viver nossa fé com base na compaixão e no compromisso com a Palavra de Deus. Que possamos, assim como Lázaro, estar aos cuidados do Senhor, confiantes em Seu amor e em Sua justiça eterna.

    A expressão “seio de Abraão”

    Jesus usou a figura do “seio de Abraão” para transmitir uma ideia familiar e profundamente significativa ao seu público. Na cultura judaica do primeiro século, o “seio de Abraão” era uma expressão que evocava descanso, consolo e o privilégio de estar na presença de um dos grandes patriarcas da fé. A escolha dessa imagem tinha o propósito de comunicar, de forma imediata e compreensível, o valor do acolhimento e da segurança que aguardava aqueles que se mantinham fiéis a Deus.

    Abraão era visto como o pai dos crentes e o exemplo de alguém que foi justificado pela fé e pela obediência. Ao descrever Lázaro sendo levado para o “seio de Abraão”, Jesus estava, na verdade, desenhando um quadro de honra e recompensa espiritual, contrastando a realidade futura com a situação presente de Lázaro, que, em vida, não tinha descanso nem dignidade.

    A expressão trazia, portanto, uma inversão poderosa: enquanto o rico, que era honrado e próspero em vida, enfrentava tormentos, Lázaro, que vivia na miséria, era recebido em paz. Isso servia de aviso para a audiência de Jesus, especialmente para os líderes religiosos e os ricos da época, que viam a prosperidade material como um sinal inequívoco da bênção divina e tendiam a negligenciar os pobres e necessitados. Jesus desafiava essa visão, usando Abraão como figura central para mostrar que a verdadeira “honra” aos olhos de Deus não se mede por riqueza, mas por caráter e fidelidade.

    O “seio de Abraão”, assim, comunicava algo além de um lugar físico: representava a promessa de consolo eterno para os que depositavam sua confiança em Deus, e trazia uma reviravolta dramática nas expectativas dos ouvintes sobre quem realmente estava em segurança na eternidade.

    O “Grande abismo”

    Quando Jesus fala de um “grande abismo” entre o rico e Lázaro, Ele não está se referindo a uma barreira geográfica literal, mas a uma separação que transcende o espaço físico. Esse abismo simboliza o rompimento entre duas realidades espirituais: uma vida fundamentada no amor, misericórdia e compaixão, como era a de Lázaro, e uma vida egoísta, centrada em si mesmo e nos prazeres do mundo, como representado pelo rico.

    Essa separação não surge de um capricho de Deus, mas do próprio estilo de vida e das escolhas que as pessoas fazem. Jesus deixa claro, ao longo dos Evangelhos, que é o modo como vivemos aqui que reflete o estado de nossa relação com Deus e, consequentemente, nossa condição espiritual. Na parábola, o abismo indica uma linha divisória criada pelas próprias atitudes do rico, que, durante sua vida, se negou a ajudar e a enxergar o sofrimento de Lázaro. Ao viver de forma indiferente, o rico cavou, por assim dizer, um abismo entre ele e a misericórdia de Deus.

    Uma Separação Moral e Eterna

    O “grande abismo” também destaca a seriedade das decisões morais. Ele nos lembra que o coração endurecido, fechado ao sofrimento alheio e ao amor, cria uma distância que vai além de um simples afastamento temporário de Deus; é um afastamento profundo, moral e espiritual. Jesus enfatiza a eternidade dessa separação para ilustrar que, uma vez fixadas as escolhas e reveladas as intenções do coração, elas têm consequências duradouras.

    A parábola sugere que essa divisão é irreversível depois da morte, o que nos leva a refletir sobre a urgência de cultivar um espírito compassivo e atento agora, enquanto temos a oportunidade. É uma chamada para que percebamos que há consequências eternas em viver egoisticamente e para que entendamos o valor da vida terrena como um preparo para a vida futura.

    Um Convite à Responsabilidade e ao Arrependimento

    A existência desse “grande abismo” também serve como uma advertência direta. Jesus ressalta que não há forma de transpor esse abismo depois da morte, o que aponta para a seriedade com que Ele abordava a responsabilidade individual em questões morais e espirituais. O texto diz que, mesmo que alguém ressuscite, quem não se deixa convencer por Moisés e os profetas não será persuadido. Essa declaração demonstra que o arrependimento e a mudança de vida não dependem de sinais miraculosos, mas de um coração disposto a ouvir e a praticar os ensinamentos de Deus.

    Em última análise, o “grande abismo” nos ensina que o fechamento do coração e a rejeição do chamado à misericórdia criam, inevitavelmente, um distanciamento de Deus e de Sua presença. Jesus nos convida, através dessa parábola, a rever nossos próprios abismos espirituais e a derrubá-los por meio de atos de amor e compaixão. Assim, o abismo que vemos entre o rico e Lázaro é um lembrete poderoso de que Deus nos chama à reconciliação com Ele e com o próximo enquanto há tempo, para que não venhamos a experimentar essa separação definitiva que a parábola tão vividamente representa.

    Com relação aos líderes religiosos no contexto da parábola?

    Jesus está, de fato, advertindo especialmente os líderes religiosos de Israel, como os fariseus e escribas. Eles eram profundamente versados nas Escrituras e reconhecidos por seu rigor na observância da lei, mas muitas vezes falhavam em praticar a justiça, a misericórdia e o amor genuíno ao próximo, que são valores centrais nas Escrituras. Em vários momentos, Jesus os confronta exatamente por esse comportamento hipócrita e por sua resistência em aceitar as verdades espirituais que Ele ensinava.

    Na parábola do rico e de Lázaro, Jesus não só aponta a insensibilidade do rico (uma figura que simbolicamente representa os líderes religiosos da época), mas também destaca a dureza de coração daqueles que, tendo Moisés e os Profetas, ainda assim não atendem ao chamado divino de compaixão. Ao usar Abraão para dizer que “se não ouvem a Moisés e aos Profetas, tampouco se deixarão persuadir, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos” (Lucas 16:31), Jesus deixa uma mensagem direta. Ele os adverte que não adiantariam milagres extraordinários, como uma ressurreição, se seus corações permanecessem fechados para as mensagens das Escrituras.

    Esse ponto é relevante porque Jesus sabia que, mesmo com a ressurreição de Lázaro de Betânia (um milagre real que Ele realizaria mais tarde) e, por fim, com Sua própria ressurreição, muitos líderes ainda se recusariam a crer. A parábola serve, então, como uma advertência dupla: a importância de viver em conformidade com as Escrituras e a rejeição dos líderes em aplicar os ensinamentos de misericórdia, justiça e amor ao próximo que elas contêm.

    Jesus, portanto, alerta que o verdadeiro sinal de fidelidade não está apenas na observância externa da lei, mas em um coração transformado que se compadece dos pobres e age com justiça. Ele denuncia uma falsa segurança religiosa baseada em status e posição, apontando que a verdadeira fidelidade a Deus se manifesta em atos de amor e serviço ao próximo. Essa advertência, ao mesmo tempo profunda e crítica, mostra que o que está em jogo é a autenticidade da fé dos líderes e sua disposição de aceitar ou rejeitar a mensagem transformadora que Ele traz.

    A Parábola do Rico e de Lázaro: Uma Advertência Direta aos Líderes e um Convite à Responsabilidade Pessoal

    Como ja mencionado, nesse texto, Jesus não apenas aborda questões sobre justiça e misericórdia, mas lança uma advertência poderosa, especialmente direcionada aos líderes religiosos da época. A história é narrada em um contexto em que a elite judaica—incluindo fariseus e escribas—era conhecida por seu rigor na observância das Escrituras, mas também, muitas vezes, por uma postura insensível e hipócrita em relação ao próximo. Portanto, é essencial compreender que esta parábola traz uma mensagem profunda sobre a importância das Escrituras, a responsabilidade pessoal e o valor de uma vida vivida com compaixão e amor ao próximo.

    Mais sobre o Contexto Cultural e Religioso da Parábola

    Lembra? Na parábola, o “rico” vive cercado de luxo, vestido de púrpura e linho fino, um indicativo de sua posição social elevada. Por outro lado, Lázaro, um mendigo, está à porta desse homem, coberto de chagas e alimentando-se das migalhas que caem da mesa do rico. Essa imagem extrema servia para ilustrar a distância espiritual entre uma vida dedicada ao egoísmo e ao luxo e uma vida em humildade e dependência de Deus. Jesus utiliza essa narrativa não para condenar a riqueza em si, mas para advertir que os valores espirituais são ignorados quando o coração está preso aos bens materiais e à autossuficiência.

    Mias sobre a Separação Representada pelo “Grande Abismo”

    Este é um central na parábola é o “grande abismo” que como visto anteriormente, Jesus descreve entre o rico e Lázaro depois da morte. Ao introduzir essa figura, Jesus não se refere a um espaço geográfico literal, mas a uma separação espiritual e moral. Esse abismo simboliza uma barreira criada pelo próprio estilo de vida e escolhas do rico, que, durante toda a sua existência, recusou-se a agir com compaixão para com aqueles que estavam ao seu redor. Assim, Jesus mostra que o abismo espiritual que existe entre o rico e Lázaro após a morte é, na verdade, um reflexo das atitudes que eles cultivaram em vida.

    Esse “grande abismo” é uma representação da condição moral de cada pessoa diante de Deus. Ele simboliza o distanciamento irreversível que existe entre uma vida fundamentada na misericórdia e no amor ao próximo e uma vida de egoísmo e endurecimento do coração. O contraste de destinos entre o rico e Lázaro não é um acaso ou uma imposição arbitrária; ao contrário, reflete as consequências das próprias escolhas de cada um. Ao longo de seu ministério, Jesus ensina repetidamente que a relação com Deus e o destino eterno de cada pessoa são diretamente influenciados pela disposição de viver uma vida compassiva, conforme os princípios das Escrituras.

    A Importância das Escrituras e a Advertência aos Líderes

    Ao falar sobre o abismo entre o rico e Lázaro, Jesus introduz o diálogo entre o rico e Abraão, em que o rico, em seu tormento, pede para que Lázaro seja enviado à casa de seus familiares, para que eles possam ser advertidos e não acabem no mesmo lugar de tormento. Abraão, porém, responde que eles têm Moisés e os Profetas, ou seja, eles já têm as Escrituras como guia espiritual, e que deveriam ouvi-las. O texto revela que, mesmo tendo conhecimento das Escrituras, os líderes religiosos da época ignoravam o chamado à justiça e à misericórdia, preferindo uma postura de orgulho e autossuficiência.

    Nesse ponto, Jesus fala de maneira direta aos fariseus e líderes religiosos, alertando que nem mesmo um milagre—como a ressurreição de um morto—os convenceria, se eles continuassem a ignorar os princípios divinos já ensinados nas Escrituras. Isso é enfatizado quando Abraão responde que, se não ouvem Moisés e os Profetas, tampouco acreditariam ainda que algum morto ressuscitasse. Essa resposta expõe a resistência que os líderes tinham para aceitar as verdades espirituais que Jesus trazia. Jesus os advertia de que a transformação espiritual não vem por meio de sinais externos, mas por um coração sensível à voz de Deus e aos Seus mandamentos, especialmente aqueles que envolvem o amor ao próximo.

    A Parábola e a Questão da Vida Após a Morte

    É importante entender que a parábola do rico e de Lázaro não tem o objetivo de ensinar sobre a natureza da vida após a morte. O propósito central de Jesus ao usar essa narrativa não é descrever o estado dos mortos, mas ilustrar o perigo da indiferença espiritual e da falta de compaixão. Em várias passagens, a Bíblia deixa claro que os mortos não mantêm consciência após a morte. Por exemplo, em Eclesiastes 9:5-6, lemos que “os mortos não sabem coisa nenhuma” e que “tudo o que se faz debaixo do sol é esquecido”. Esse ensinamento indica que a parábola utiliza uma linguagem figurativa, comum nas narrativas e ensinamentos judaicos.

    Além disso, Jesus estava utilizando elementos populares na cultura judaica da época para capturar a atenção dos ouvintes e destacar as verdades espirituais. As expressões como “seio de Abraão” e a menção ao Hades são imagens conhecidas no contexto judaico como figuras de linguagem, não descrições literais. Em nenhum outro lugar das Escrituras se usa a figura do “seio de Abraão” para descrever o céu ou o destino dos justos, o que reforça a ideia de que Jesus está usando simbolismo cultural e não uma explicação literal sobre a vida após a morte.

    Para compreender melhor essa parábola, vale também considerar o comentário de alguns estudiosos, que apontam que Jesus frequentemente usava figuras e metáforas extremas para esclarecer um ponto ético ou moral. Essa era uma estratégia comum em Suas parábolas, como vemos também na parábola do servo cruel, onde Jesus ilustra a importância do perdão (Mateus 18:23-35) e na história do semeador, que fala sobre as condições do coração humano para receber a Palavra de Deus (Mateus 13:3-8).

    Finalmente, se o objetivo de Jesus fosse instruir sobre o que acontece após a morte, isso entraria em contradição com Suas próprias palavras em João 11:11-14, onde Ele diz que a morte é como um sono, reforçando que os mortos aguardam a ressurreição. Assim, a parábola do rico e de Lázaro deve ser lida à luz de todo o ensinamento bíblico, entendendo que se trata de uma advertência poderosa sobre o estilo de vida e a necessidade de arrependimento, não uma descrição detalhada da vida após a morte.

    Um Convite à Responsabilidade Pessoal e à Compaixão

    Por meio dessa parábola, Jesus também deixa claro que a responsabilidade espiritual é pessoal e intransferível. Cada indivíduo é responsável por suas próprias ações e por responder aos ensinamentos de Deus. Ao dizer que o rico teve sua oportunidade em vida, Jesus ressalta a importância de responder ao chamado divino enquanto há tempo. O rico, tendo vivido uma vida de autossatisfação e indiferença ao sofrimento do próximo, cavou, por assim dizer, um abismo entre si e a misericórdia de Deus. Esse abismo não é uma criação arbitrária, mas o resultado das escolhas e da dureza de coração, que se tornam intransponíveis depois da morte.

    Assim, o “grande abismo” é também uma advertência a todos nós, de que uma vida dedicada a si mesmo e ao acúmulo de bens materiais, ignorando as necessidades do próximo, leva a uma separação espiritual definitiva. Ao mesmo tempo, é um convite a abraçarmos a compaixão e a misericórdia como valores centrais em nossa caminhada espiritual. Jesus nos mostra que, enquanto estamos vivos, temos a oportunidade de construir uma relação verdadeira com Deus, manifestada em ações de amor e justiça. Ele nos adverte que o verdadeiro testemunho de fé não está na posição ou status social, mas em viver em conformidade com os valores eternos ensinados nas Escrituras.

    Conclusão: Uma Parábola de Advertência e Transformação

    Em conclusão, a parábola do rico e de Lázaro é uma mensagem de advertência e, ao mesmo tempo, um convite profundo à transformação do coração. Jesus revela que o destino final de cada pessoa não depende de privilégios terrenos, mas de uma vida fundamentada em valores espirituais, como a justiça, o amor e a compaixão. Ele nos ensina que o verdadeiro valor está em seguir o caminho de Deus com humildade e integridade, cuidando do próximo e agindo com misericórdia.

    Por fim, a resposta de Abraão ao rico, de que não há necessidade de sinais adicionais para que os outros se arrependam, sublinha a importância de ouvirmos e vivermos os ensinamentos de Deus enquanto temos oportunidade. Jesus chama todos, especialmente os líderes e os que têm responsabilidades espirituais, a reconhecerem que o conhecimento das Escrituras implica em uma vida prática de fé, abnegação e cuidado com o próximo. Somente assim, podemos evitar o abismo espiritual que separa a compaixão do egoísmo, a misericórdia da dureza de coração e o amor de Deus das atitudes que nos afastam d’Ele.

    É bacharel em Teologia pela Faculdade Adventista do Paraná, além de formação em Desenvolvimento Web e Design Gráfico, adquirida nas escolas Udemy Academy e Stand By. Também é especialista em Marketing Digital pelo Núcleo Expert FNO. Atualmente, atua como Colportor de Carreira na Associação Pernambucana da Igreja Adventista do Sétimo Dia (IASD) em Recife, PE. Além disso, está cursando um MBA em Gestão de Projetos.

  • Inteligência Emocional para o Cristão: Equilibrando Coração e Espírito

    Inteligência Emocional para o Cristão: Equilibrando Coração e Espírito

    Inteligência Emocional para o Cristão: Equilibrando Coração e Espírito

    Introdução

    A inteligência emocional (IE) é a capacidade de reconhecer, entender e gerenciar nossas próprias emoções e também reconhecer, compreender e influenciar as emoções dos outros. Para o cristão, a inteligência emocional é uma ferramenta vital que não só aprimora nosso bem-estar emocional e mental, mas também aprofunda nossa caminhada espiritual e nossa capacidade de viver conforme os ensinamentos de Jesus Cristo.

    1. O que é Inteligência Emocional?

    A inteligência emocional é composta por cinco componentes principais:

    1. Autoconsciência – A capacidade de reconhecer e entender suas próprias emoções.
    2. Autorregulação – A habilidade de gerenciar e controlar suas emoções de maneira saudável.
    3. Motivação – A capacidade de usar suas emoções para alcançar objetivos e permanecer motivado.
    4. Empatia – A habilidade de compreender as emoções dos outros.
    5. Habilidades Sociais – A capacidade de gerenciar relacionamentos de forma eficaz.

    Para o cristão, esses componentes devem ser integrados e alinhados com os princípios e ensinamentos bíblicos.

    2. Autoconsciência: Conhecendo a Si Mesmo

    A Bíblia frequentemente nos chama para a reflexão e o autoconhecimento. Em 2 Coríntios 13:5, somos aconselhados a examinar-nos a nós mesmos. A autoconsciência nos ajuda a identificar áreas de nossas vidas que precisam de crescimento e nos conduz a uma vida de maior integridade e congruência com a vontade de Deus.

    3. Autorregulação: Dominando a Própria Alma

    Em Gálatas 5:22-23, o apóstolo Paulo fala sobre os frutos do Espírito: amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e autocontrole. A autorregulação é essencial para viver uma vida cheia desses frutos. Quando somos capazes de gerenciar nossas emoções, evitamos reações impulsivas que podem ferir a nós mesmos e aos outros, e nos alinhamos mais com o caráter de Cristo.

    4. Motivação: Servindo com Propósito

    Colossenses 3:23 nos exorta: “Tudo o que fizerem, façam de todo o coração, como para o Senhor, e não para os homens.” A verdadeira motivação cristã vem do desejo de agradar a Deus e de cumprir Seu propósito para nossas vidas. A inteligência emocional nos ajuda a manter esse foco, mesmo em tempos de dificuldade.

    5. Empatia: Amando o Próximo

    Jesus nos ensinou o mandamento do amor: “Ame o seu próximo como a si mesmo” (Mateus 22:39). A empatia é fundamental para cumprir este mandamento. Através de uma maior compreensão das emoções alheias, somos chamados a mostrar compaixão, apoio e compreensão, refletindo o amor de Cristo em todas as nossas interações.

    6. Habilidades Sociais: Fomentando Comunidades Saudáveis

    O cristianismo valoriza profundamente a comunidade e os relacionamentos. As habilidades sociais fortalecem nossos vínculos com os outros, promovendo um ambiente de suporte mútuo, encorajamento e unidade. Em Romanos 12:18, somos incentivados, “Se for possível, quanto depender de vocês, vivam em paz com todos.”

    Conclusão: Inteligência Emocional na Vida Cristã

    Desenvolver inteligência emocional não é apenas uma busca de crescimento pessoal, mas uma extensão de nosso compromisso espiritual. Ajuda-nos a viver vidas mais plenas e alinhadas com o propósito de Deus, permite-nos refletir o caráter de Cristo de maneira mais clara e efetiva, e fortalece nossas comunidades e relacionamentos.

    Como cristãos, ao buscarmos aprimorar nossa inteligência emocional, estamos, na verdade, aprofundando nossa jornada de discipulado e nos capacitando para cumprir nosso chamado de ser sal e luz no mundo (Mateus 5:13-16). Portanto, que possamos buscar sempre este equilíbrio entre coração e espírito, com a orientação e a graça de Deus.

    É bacharel em Teologia pela Faculdade Adventista do Paraná, além de formação em Desenvolvimento Web e Design Gráfico, adquirida nas escolas Udemy Academy e Stand By. Também é especialista em Marketing Digital pelo Núcleo Expert FNO. Atualmente, atua como Colportor de Carreira na Associação Pernambucana da Igreja Adventista do Sétimo Dia (IASD) em Recife, PE. Além disso, está cursando um MBA em Gestão de Projetos.

  • Fechamento da Porta da Graça: Entenda Este Assunto Crucial para a Fé Cristã

    Fechamento da Porta da Graça: Entenda Este Assunto Crucial para a Fé Cristã

    O que é o fechamento da porta da graça? Entenda mais sobre esse assunto crucial

    o fechamento da porta da graça
    Entenda o conceito do fechamento da porta da graça na teologia cristã e a importância de buscar a salvação enquanto ainda há tempo.

    “Tudo sobre o Fechamento da Porta da Graça: Uma Análise Crucial”

    O que é o fechamento da porta da graça?

    O fechamento da porta da graça é um conceito fundamental na teologia cristã que se refere ao momento em que Deus encerra a oferta de salvação e a oportunidade de arrependimento para a humanidade.

    Se baseia na crença de que Deus oferece à humanidade a oportunidade de aceitar a salvação e o perdão por meio de Jesus Cristo. No entanto, esse período de graça terá um fim em algum momento, quando Deus determinar. Significa que não haverá mais oportunidade de arrependimento e salvação para aqueles que rejeitaram a oferta divina durante sua vida terrena. É considerado um momento crucial e decisivo na história da humanidade.

    Não há uma data específica apenas uma previsão para o fechamento da porta da graça que são mencionadas em algumas passagens bíblicas com relação a esse assunto:

    1. Mateus 24:36 – “Quanto ao dia e à hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, senão somente o Pai.”

    2. Apocalipse 22:11 – “Quem é injusto, faça injustiça ainda; quem está sujo, suje-se ainda; quem é justo, continue a praticar justiça; e quem é santo, continue a santificar-se.”

    3. 2 Pedro 3:9 – “O Senhor não demora em cumprir a sua promessa, como julgam alguns. Pelo contrário, ele é paciente com vocês, não querendo que ninguém pereça, mas que todos cheguem ao arrependimento.”

    Essas passagens destacam a incerteza em relação ao momento específico do fechamento da porta da graça e enfatizam a importância de buscar a salvação e viver uma vida justa e santificada enquanto ainda há tempo.

    É importante lembrar que o fechamento da porta da graça não deve ser motivo de medo ou desespero, mas sim um incentivo para buscar a salvação enquanto ainda há tempo. A mensagem central desse conceito é a importância de aceitar a oferta de salvação de Deus e buscar um relacionamento com Ele durante a vida terrena.

    A visão de Ellen White sobre o fechamento da porta da graça

    Ellen White, uma das fundadoras da Igreja Adventista do Sétimo Dia, abordou o fechamento da porta da graça em suas obras. Ela destacou que quando o tempo de graça terminar, a porta da misericórdia será fechada, sem mais oportunidade de arrependimento ou perdão. Aqueles que rejeitaram a salvação enfrentarão as consequências eternas de suas escolhas.

    A ausência de intercessão e a retirada do Espírito Santo

    Outra citação relevante de Ellen White ressalta que, quando o tempo de graça acabar, não haverá mais intercessão pelos pecadores e Deus retirará Seu Espírito Santo da Terra. Isso enfatiza a importância de buscar a salvação enquanto ainda há tempo, pois quando a porta da graça se fechar, não haverá mais oportunidade de salvação.

    O momento decisivo e imprevisível do fechamento da porta da graça

    Ellen White também enfatizou que o fechamento da porta da graça será um momento decisivo na história humana. Chegará o momento em que Deus dirá “Chega!” e os destinos eternos de cada indivíduo serão selados. É crucial lembrar que o fechamento da porta da graça não pode ser previsto ou agendado, apenas Deus sabe quando isso ocorrerá.

    Conclusão

    Em resumo, o fechamento da porta da graça é o momento em que Deus encerra a oferta de salvação e a oportunidade de arrependimento para a humanidade. As citações de Ellen White destacam a importância desse assunto e ressaltam a necessidade de buscar a salvação enquanto ainda há tempo. Esteja sempre preparado e busque a Deus em todas as circunstâncias da vida.

    E você, o que pensa sobre o assunto? Sua opinião é extremamente valiosa para nós. Deixe seus pensamentos, apreciações ou comentários abaixo. Não se esqueça de compartilhar esta mensagem! Juntos, podemos disseminar essa teologia que está intrinsecamente ligada ao nosso preparo para a vida eterna. Clique no botão abaixo e faça parte dessa jornada agora mesmo!

    É formado em Teologia pela Faculdade Adventista do Paraná e Desenvolvimento Web, Designer Gráfico pelas escolas UDEMY Academy e Stand By. Marketing Digital pelo Núcleo Expert FNO. Atualmente atua como Colportor de Carreira na Associação Pernambucana da IASD em Recife PE e cursa MBA  em Gestão de Projetos.

  • Os 4 seres viventes de Apocalipse 4

    Os 4 seres viventes de Apocalipse 4

    Os quatro seres viventes: Alusão de Apocalipse 4.6 a Ezequiel 1.5

    • INTRODUÇÃO: A natureza do Apocalipse

    Não há outro livro igual ao Apocalipse em sua essência e uso pois ele trabalha como o fechamento de todo o cânon bíblico. Podemos dizer que se configura um resumo de toda a Bíblia e seu conteúdo é como um arremate de um tecido bem feito, é o clímax da revelação de Deus para sua igreja no passado, presente e futuro é também “a revelação, o desvendamento, a exposição da verdadeira Pessoa de Jesus em toda a majestade da Sua pessoa e toda a glória da Sua obra. Este livro é o clímax de todas as magnificentes verdades encontradas nas outras partes da Bíblia” (GUILHERME, 1997, p. 74). Muito se discute sobre sua natureza por se tratar de uma mensagem que exige estudo e cautela para que o estudante encontre a interpretação exata do seu conteúdo. Entender esse conceito poderá contribuir com o leitor em sua busca porque  “a literatura apocalíptica trata da escatologia (ἔσχατος, eschatos, “últimas coisas”). Esse tipo de escrita foi especialmente predominante, de aproximadamente 200 a.C. a d.C. 200, começando com os escritos judaicos e, eventualmente, incluindo a obra dos cristãos.’’ (NEAL, 2020). Então, compreender sua natureza e propósito dará ao leitor a possibilidade de entender sua mensagem que é apresentada logo no início,  porque,

    “O Apocalipse de João, nos seus dois primeiros versos, daria, como paradigma, os quatro pontos da estrutura típica desse gênero: uma revelação que é dada por Deus; a transmissão se dá por um mediador; o receptor é um visionário; os temas tratados dizem respeito a eventos futuros. Seu marco social também é tomado do livro do Apocalipse, em 1,19: esclarecer aos eleitos aquilo que ainda há de acontecer, servindo então de coragem e conforto numa época de opressão, com o intuito de manter a fidelidade deles” (HANSON, 1976, p. 27). 

    Segundo Rotz (2015) “o Apocalipse é em primeiro lugar e princi­palmente uma mensagem à Igreja, à noiva’’. O mesmo autor diz que o livro requer estudo criterioso que usa seriamente o universo simbólico e a história dramática sem ceder a uma rejeição das imagens difíceis ou literalismo. 

    Muito se tem discutido sobre o gênero e o estilo do livro do Apocalipse, e podemos destacar que essa discordância não impede que bons pesquisadores encontrem o sentido hermenêutico correto. Carson (1997) diz que este livro é muito parecido com uma carta, mas em sua forma geral e introdução, é um livro apocalíptico. João faz uso extensivo do simbolismo para transmitir sua mensagem apocalíptica, ele não está preso ao fio comum do gênero apocalíptico, distinguindo assim sua obra de outras obras apocalípticas existentes.

    • O que é uma alusão

    É comum encontrarmos textos na Bíblia que fazem referência a outros textos, autores citando outros autores, isso ocorre com frequência. Muitas dessas expressões são chamadas de ‘’alusões’’, as mesmas são usadas para dar força ao argumento do próprio autor. Essas referências ou boa parte delas são retiradas do Antigo Testamento e também ocorrem com alguma força no Novo Testamento, mas como definimos uma alusão?  De acordo com Beale (2003), pode-se definir “alusão” como uma expressão breve deliberadamente pretendida pelo autor para ser dependente de uma passagem do AT. Diferentemente de uma citação do AT, que é uma referência direta, a alusão é indireta (a redação do AT não é reproduzida diretamente como na citação)”. A alusão é uma referência indireta, praticamente certa ou provável, embora não tão material quanto a citação explícita. Em outras palavras, para se identificar uma alusão, é necessário atestar a existência de “um paralelo incomparável ou único de redação, sintaxe, conceito ou conjunto de motivos na mesma ordem ou estrutura. Quando se encontram tanto uma redação (coerência vocabular) quanto temas singulares, a alusão proposta ganha maior probabilidade” (BEALE, 2013, p. 56). Sendo que o Apocalipse não faz citação ao AT, dar atenção a alusões torna-se importante e eficaz para sua correta interpretação, como veremos mais adiante.

    • Quantas alusões há no livro do Apocalipse

    Há um número considerável de alusões no livro. Embora possam existir várias opiniões sobre um valor exato. “No Livro do Apocalipse, por exemplo, em que não há citações formais, o número das alusões varia de 394 (UBS3) a 635 (NA26), chegando a 1.000”. (BEALE, 2003, p.55). Mostrando que João além de ser conhecedor dos escritos do AT, faz uso desse recurso para discorrer sobre os assuntos que propõe escrever, o que torna muito comum seu uso por boa parte dos autores bíblicos.  Notamos que há várias propostas quanto ao número de alusões no livro e para tanto não chegaremos a um consenso aqui, porém voltamos a destacar que elas existem e são importantes para compreensão da mensagem apocalíptica.

    • Exemplos de alusão

    Reid (2007) diz que as alusões são em grande quantidade no Apocalipse  e que o livro não tem nenhuma citação direta do AT. Mais um motivo lógico de que entender o processo de alusão é a chave fundamental para interpretação das palavras de João e torna-se assim um dos requisitos para quem deseja aprofundar-se em seu conteúdo. Vamos tomar como exemplo o texto de Isaías 65:17-25 onde o mesmo autor diz que

    “[…] não é ainda a descrição dos novos céus e da nova terra, conforme encontrado em Apocalipse 21-22. Em Isaías 65:20, a morte ainda está presente. Veja também Isaías 65:23 e 66:23-24. Isto é uma profecia condicional para Israel, apontando para uma condição quase ideal que nunca se cumpriu em uma escala local, mas que aguarda o cumprimento final em uma escala universal conforme se encontra em Apocalipse 21-22.’’ (REID, 2007. p.118).

    Outro exemplo é o cenário de Apocalipse 4.1-11 e Ezequiel 1.1-10 onde ambos os profetas recebem uma visão de uma cena impressionante, incomum ao pensamento humano, descrevendo em detalhes o que viram e este será o assunto de análise doravante.

    Quando colocamos os textos de Apocalipse e Ezequiel em paralelo notamos uma variedade de palavras e expressões semelhantes, os autores usam praticamente a mesma estrutura para discorrer o assunto apresentado, veja o quadro comparativo abaixo e note as semelhanças dos termos encontrados nas duas passagens.

    • Paralelo temático
     

    APOCALIPSE 4.1-8

    EZEQUIEL 1.1-14

    Termos e palavras semelhantes

    • céu, 
    • aberta,
    • dizendo,
    • achei-me em espírito,
    • relâmpagos, 
    • quatro seres viventes, 
    • o rosto como de homem, 
    • semelhante a leão, 
    • semelhante a novilho,
    • semelhante à águia
    • Do trono saem relâmpagos
    • céus, 
    • abriram, 
    • palavra do Senhor, 
    • a mão do SENHOR, 
    • relâmpagos, 
    • quatro seres viventes, 
    • seus rostos era como o de homem, 
    • rosto de leão, 
    • rosto de boi,
    • rosto de águia 
    • dele saíam relâmpagos

    Em ambas as passagens encontramos a mesma descrição do que os profetas viram, dando indício de uma clara alusão, exceto quando falam das asas dos seres viventes, João diz que os seres tinham quatro asas e Ezequiel menciona seis asas (Ap 4.8, Ez 1.6).  É basicamente neste ponto do Apocalipse que começam as visões, nas quais são mostradas, sob figuras, as forças pelas quais a vida da igreja é afetada, porém vamos nos deter de agora em diante em Ap. 4.6, passagem esta que João usa para aludir  em Ez. 1.5.

    • Paralelo verbal

    Existem três palavras hebraicas da qual advém o termo que a Septuaginta traduz como ζῷον: seres viventes conforme mostrado no gráfico abaixo:

    A tradução, então, seria de ζῷον (zoon): animal, ser vivo e a mais aceitável é criatura (sobrenatural) — um ser sobrenatural compreendido segundo as características dos seres vivos. Passagens relacionadas que falam de  “criaturas vivas”.

              Ap. 4.6  τέσσαρα ζῷα

              Ap. 5.6  τῶν τεσσάρων ζῴων καὶ

              Ap. 5.8  τὰ τέσσαρα ζῷα καὶ οἱ εἴκοσι τέσσαρες

              Ap. 6.1  καὶ ἤκουσα ἑνὸς ἐκ τῶν τεσσάρων ζῴων

              Ap. 6.5  τοῦ τρίτου ζῴου λέγοντος·

    Referências da Septuaginta: Gn 1.21; Sl 67.11; Sl 103.25; Jó 38.14; Sb 7.20; Sb 11.15; Hc 3.2; Ez 1.13–15; Ez 47.9 e também a passagem de estudo deste artigo, Ez 1.5. Esta tem sua raiz no verbo grego ζάω (zao): viver com o equivalente na palavra hebraica חַיָּה (ḥǎy·yā(h)) que a LXX traduz por ζῶά: exército, habitação em Salmos 67.11 como mostrado no gráfico acima, nos dando uma sugestão de que estes seres são do exército do Senhor e que sua habitação é ao redor do trono onde adoram e servem a Deus, porém isto pode não fazer sentido porque ḥǎy·yā(h) (חַיָּה) também é traduzido pela LXX como animais, feras e seres, e o mesmo substantivo tem sua raiz no verbo חָיָה (chayah) traduzido como estar vivo, viver, portanto o que Ezequiel viu em sua visão, e o mesmo podemos dizer de João foi os “seres viventes”, estranhos e de aparência incomum, e no caso de Ezequiel, nunca vistos antes, que adoravam a Deus ao redor do seu trono.  É importante destacar a ocorrência ζῷον feita pela LXX  em Ez. 1.5 comprova a alusão feita por João, pois o paralelo entre uma palavra e outra é o mesmo como já comentado neste artigo.

    • A alusão (Ap. 4.6 – Ez. 1.5)

    As quatro criaturas vivas que tinham muitos olhos “antes e atrás” (Ap. 4.6) têm uma sugestão de algo que se aproxima da onisciência, mas o fato de serem criaturas limita isso. A visão de Ezequiel 1 é tão semelhante a esta que podemos afirmar e aceitar o que é revelado ali como tendo a mesma aplicação na visão de João, evidentemente uma alusão a mesma. Por algum tempo, ao que parece, Ezequiel se perguntou o que eram as criaturas vivas; mas em uma visão posterior foi lhe dando a interpretação do mistério. Então ele disse: “São estes os seres viventes que vi debaixo do Deus de Israel, junto ao rio Quebar, e fiquei sabendo que eram querubins” (Ez. 10.20)

    Podemos seguramente deixar de lado, portanto, algumas interpretações antigas que dizem ser estes como os quatro evangelistas, Mateus, Marcos, Lucas e João segundo o pensamento de Santo Irineu ou os quatro principais signos do Zodíaco, como alguns, a mencionam. Não há praticamente nada que possa ser totalmente conhecido sobre esses seres vivos que estão na presença de Deus. A descrição de João do que ele viu nesta visão do trono de Deus não é uma representação fotográfica, mas uma visão que tinha a intenção de impressionar, como foi no Sinai ao pronunciar Deus sua Lei a Israel, evidenciando que Ele, assim como na cena mostrada a João, se apresenta de uma forma espetacular. Nas duas visões a cenário apresentado está no contexto de adoração, embora Ezequiel não tenha mencionado o trono no começo de sua visão, João vê e escreve sobre ele logo no início dando ênfase na adoração cósmica manifesta, que consiste no panorama universal do trono e a sua volta, as criaturas e posteriormente no capítulo, os vinte quatro anciãos que também se prostram e adoram aquele que está sentado no trono.

    Ezequiel, ao receber a visão, contempla apenas vestígios do que realmente iria acontecer quando o Cordeiro se levantaria para abrir os selos mostrados na sequência do capítulo 4 de Apocalipse, é por esse motivo que João faz alusão aos seres viventes mencionados no AT, porém com detalhes não mencionados anteriormente onde se diz, por exemplo, que: 

    “E os quatro seres viventes, tendo cada um deles, respectivamente, seis asas, estão cheios de olhos, ao redor e por dentro; não têm descanso, nem de dia nem de noite, proclamando: Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus, o Todo-Poderoso, aquele que era, que é e que há de vir” (Ap. 4.8). 

    Conforme lemos em Ap 4.8 estes seres, adoram a Deus dando-lhe glórias pelo que Ele foi e é, proclamando a sua vinda, um grande quadro de adoração observado também na visão de Ezequiel retratando o mesmo panorama. Devemos lembrar que as visões não são apresentadas a eles como realmente são, porque segundo o Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia ”os quatro seres viventes não representam criaturas aladas reais com as características animais citadas” (DORNELES, 2014)  e nem Jesus, segundo Timm (2022), tem a forma de um cordeiro que tenha sido morto. Concluímos que, as visões tinham o objetivo de causar grande admiração, tanto que Ezequiel ficou muito impressionado (veja Ez. 4.18, 4.22) com a aparência delas.  Allison diz que:

    “A descrição em Apocalipse 4 e 5 é de uma cena celestial (4:1); o lugar é o santuário celestial. Encontra-se ali o trono de Deus (4:2); existem sete lâmpadas (4:5); mencionam-se taças de ouro cheias de incenso (5:8); e o Cordeiro está presente (5:6). […] Um dos propósitos dessa visão é derramar luz sobre a entronização de Cristo como rei e sumo sacerdote no santuário celestial”.

    Cristo entrou ali para cumprir seu ministério de restauração e de onde irá declarar “Tudo está feito […]” (Ap. 21.6). O mesmo não ocorre com Ezequiel, que vê os seres e os descreve. Visivelmente não há escatologia na visão, tanto que no final de toda sequência das cenas Deus lhe dá uma missão local (Ez. 2.3), porém para João é dado conhecer a missão escatológica do Cordeiro, o único digno de abrir os selos (Veja Ap. 5.1 e 5, Ez. 2.9-10) e de ser adorado, como mostrado subsequentemente no seu relato, tanto que Osborne comenta que esse título de Cordeiro, ”[…] se volta totalmente para a grandiosa vitória escatológica de Cristo como cordeiro pascal sobre a cruz. […] Ele vence, porém, por meio do autossacrifício, por ser o Cordeiro que foi morto, recebendo a adoração dos seres viventes e dos anciãos” (OSBORNE, 2014, p. 39). Note que ”os quatro seres viventes aparecem repetidamente no cenário celestial […] Estão constantemente ocupados na adoração e louvor a Deus” (4:8; 5:8; 5:14; 7:11; 19:4) (BARCLAY, 2015, p.186), nos fazendo entender que papel e propósito desempenham. Os mesmos também faziam parte da decoração do templo de Salomão nas paredes e nos lugares de oração, sugerindo serem símbolos de  adoração e louvor a Deus. Em ambas as visões, especialmente em Apocalipse, é observado o maior exemplo de adoração cósmica, que atinge seu auge em Ap 4.7 e a nota tônica é; Deus está assentado no trono e tanto querubins, como todos, devem prostrar-se e adorá-Lo.  Estes seres, ”são parte da cena e do imaginário celestiais. Não são representações que o autor do Apocalipse tenha inventado” (BARCLAY, 2015, p. 187), portanto, é uma clara alusão que João faz à cena de adoração em Ezequiel, com acréscimo de detalhes relacionados ao tempo do fim. 

    Referências:

    GUILHERME, W. Orr. 66 Chaves para a Bíblia: Um Manual Prático para Estudo Bíblico, Primeira edição. São Paulo: Ebr Editora Batista Regular, 1997.

    NEAL, D. A. Apocalyptic Literature, Introduction to. In J. D. Barry (Org.), Dicionário Bíblico Lexham. Bellingham, WA: Lexham Press, 2020.

    HANSON, Paul D. Apocalypse, genre; Apocalypticism. In: CRIM, Keith (Ed.). The interpreter’s dictionary of the Bible. Nashville: Abingdon Press, 1976. 

    CARSON, D.A., Douglas J. Moo e Leon Morris. Introdução ao novo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 1997. 

    Almeida Revista e Atualizada. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993.

    ROTZ, Carol. Novo Comentário Bíblico Beacon: Apocalipse. Rio de Janeiro: Central Gospel, 2015.

    DEDEREN, Raoul. Tratado de Teologia. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 2011.

    BEALE, G. K. Manual do uso do Antigo Testamento no Novo Testamento: Exegese e interpretação. São Paulo: Vida Nova, 2003.

    REID, George W. Compreendendo as Escrituras. Engenheiro Coelho: Unaspress, 2007.

    BRANNAN, Rick. Léxico Lexham do Novo Testamento Grego. Bellingham, WA: Lexham Press, 2020.

    TIMM, Alberto R. Lição da Escola Sabatina: Vida, Morte e Eternidade. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2022.

    DORNELES, Vanderlei. Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia, v.7. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2014, p. 861.

    BARCLAY, William. Apocalipse: O Novo Testamento Comentado por William Barclay.  Tradução: Carlos Biagini, p. 186-187.

    É bacharel em Teologia pela Faculdade Adventista do Paraná, além de formação em Desenvolvimento Web e Design Gráfico, adquirida nas escolas Udemy Academy e Stand By. Também é especialista em Marketing Digital pelo Núcleo Expert FNO. Atualmente, atua como Colportor de Carreira na Associação Pernambucana da Igreja Adventista do Sétimo Dia (IASD) em Recife, PE. Além disso, está cursando um MBA em Gestão de Projetos.

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  • Porque a cruz foi necessária

    Porque a cruz foi necessária

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    Porque a cruz foi necessária

    A Cruz é necessária, isso foi revelado quando a humanidade caiu em pecado e Deus motivado pelo seu infinito amor  deu tudo para assegurar um meio de restaurar a conexão com a criatura desobediente. Por sua decisão, tornou possível ao homem encontrar o caminho de volta de onde nunca deveria ter saído. Logo, isso não é obra humana e sim Dele porque “[…] é Deus quem salva. Repetidamente no Antigo Testamento lemos Eu sou o Senhor teu Deus que te tirei da terra do Egito, e no Novo Testamento afirma-se explicitamente que a salvação não vem de nós, mas é dom de Deus” (BARKER, 2017, p. 716).

    Para  entendermos a necessidade da Cruz faz-se necessário analisar alguns aspectos do pecado, sendo o mesmo um dos motivos da elaboração do plano da Salvação. Sabemos que a essência do pecado se constitui para nós um mistério não revelado, no entanto, conhecemos seus resultados pois o experimentamos em nossa vida. Barker (2017) diz que o pecado é o grande distúrbio que interrompeu o trabalho de Deus, e a salvação é a superação da alienação, interrupção, reconstrução e transformação de todas as realidades afetadas pelas forças do mal. Vemos no comentário do autor conclusões que se configuram dois aspectos do pecado e mostram o que ele causou a nós, são eles: interrupção e alienação. Ambos causaram a separação do homem de Deus. Primeiro a interrupção, onde foi interrompido o plano original do céu para com o homem recém criado. O resultado dessa interrupção levou o homem a alienação, porque brotou nele a tendência natural de fugir da presença do Senhor e o próprio ato pecaminoso do homem em si criou um abismo entre ele e Deus,  impossível de ser transposto. Podemos dizer que esses aspectos, embora insuficientes, são devastadores pois sugerem uma situação irremediável. O homem estava condenado pela santa lei de Deus e sobre ele pairava  a certeza sombria de sua morte certa. “O  Céu encheu-se de tristeza quando se compreendeu que o homem estava perdido, que o mundo que Deus criara deveria encher-se de mortais condenados à miséria, enfermidade e morte, e não haveria um meio de livramento para o transgressor”. (WHITE, 2010, p. 146). 

    Satanás havia conquistado seu objetivo ao levar o homem à desobediência e sua hoste exultou por saber que ele havia entregue o domínio do mundo em suas mãos. Deus, aparentemente estava numa situação delicada e  restavam poucas alternativas. Poderia Ele cumprir sua palavra e destruir o casal e satisfazer os reclamos de Sua santa lei ou desistir de condená-los à morte e restaurar o favor que haviam perdido por desobedecer. Podemos pensar que a decisão mais sensata seria cumprir com o que havia  dito, levar o homem à morte eterna e manter seu padrão moral satisfazendo sua característica de não tolerar o pecado. Se Deus tivesse tomado qualquer uma dessas decisões, Satanás estaria certo de que havia ganho a controvérsia, porque em ambos os casos ele acharia razão para acusá-lo.  Em suma, se Deus restaura o favor do homem voltando atrás a Sua palavra teria sido acusado de mentiroso e se houvesse  destruído o homem teria sido acusado de injusto. Como Ele poderia agir sem manchar sua integridade? White (2010, p. 149) comenta:

    Vi o adorável Jesus e contemplei uma expressão de simpatia e tristeza em Seu rosto. Logo eu O vi aproximar-Se da luz extraordinariamente brilhante que cercava o Pai. Disse meu anjo assistente: Ele está em conversa íntima com o Pai. A ansiedade dos anjos parecia ser intensa, enquanto Jesus Se comunicava com Seu Pai. Três vezes foi encerrado pela luz gloriosa que havia em redor do Pai; na terceira vez, Ele veio de Seu Pai, e podia ser visto. Seu semblante estava calmo, livre de toda perplexidade e inquietação, e resplandecia de benevolência e amabilidade, tais como não podem exprimir as palavras. Fez então saber ao exército angelical que um meio de livramento fora estabelecido para o homem perdido. Dissera-lhes que estivera a pleitear com Seu Pai, oferecera-Se para dar Sua vida como resgate e tomar sobre Si a sentença de morte, a fim de que por meio dEle o homem pudesse encontrar perdão; que, pelos méritos de Seu sangue, e obediência à lei divina, ele poderia ter o favor de Deus, e ser trazido para o belo jardim e comer do fruto da árvore da vida. 

    A mesma autora comenta que na cruz a justiça e misericórdia se uniram. Contemplando a cena Paulo escreve: “a saber, que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou a palavra da reconciliação”. (2Co 5.19) e Barker (2007) complementa, Deus estava superando e reconstruindo as realidades desastrosas que o mal havia causado. “A Escritura ensina que, conforme o plano de Deus, Cristo teve de sofrer, morrer e ressuscitar dos mortos. Ela expressa a necessidade divina na expressão “ter de“. (KISTEMAKER, 2016, p. 157).

    Deus o Pai superou todas as expectativas quando entregou  seu Filho a morte em lugar do homem. Entrou em concílio com o Filho e ambos decidem revelar as suas criaturas o que haveria de fazer para solucionar o problema e ao invés de horror pelo que teria de enfrentar, o coração de Cristo se encheu de alegria, regozijo e esperança pois sabia que haveria de trazer de volta suas amadas criaturas ao favor divino. Satanás nunca poderia imaginar tamanho altruísmo e desprendimento porque nem ele mesmo sabia o que era abnegação e serviço por ser egoísta e desconsiderado, características que causaram sua ruína. 

    “O homem, por sua apostasia, havendo perdido o direito ao favor divino, perdeu também a imagem divina e, envolvido em pecado e miséria, teria perecido nesse estado não houvera Deus providenciado um plano de salvação”. (HODGE, 2001, p. 748). Deus não só superou, mas também estava construindo uma ponte que iria restaurar o acesso do homem a Ele. A cruz que Cristo suportou não só construiu, mas também possibilitou ao homem ser restaurado a imagem divina e de seu estado de decadência para o estado de santo às vistas de Deus. Como se vê, isso é dom de Deus enviado do céu aos homens e nada do que ele possa fazer terá alguma contribuição neste processo, “a salvação tem origem em Deus e não no homem. Apesar de Paulo exortar os Filipenses a desenvolverem sua salvação com temor e tremor, ele contudo acrescenta que Deus trabalha por intermédio deles para realizar o seu propósito”. (Fp 2.12–13) (KISTEMAKER, 2016, p. 157).

    A esta altura já podemos imaginar porque foi tão grande a condescendência de Deus ao dar seu Filho Unigênito para morrer como oferta pelos pecados da humanidade. Nosso criador agiu como um pai que conhecendo a situação de saúde critica de seu filho ainda no ventre é dado a ele a opção de abortar a criança porque ao nascer viverá o resto da vida vegetando numa situação miserável, mas ao pensamento de que irá, pelo oborto, ficar separado do seu filho decide deixá-lo nascer e seu amor se mostra maior do que  o problema de saúde do filho, problema este que o impedirá de ser o que pai gostaria. Assim agiu Deus quando permitiu que o homem viesse a existência, mesmo em sua onisciência saber que o projeto fracassaria, foi permitido a nós existirmos, pelo o que João diz “nos amamos porque ele nos amou primeiro” e desde dos tempos eternos já havia elaborado seu plano de resgate, de cura da doença do pecado que um dia surgiria no universo. “A história do grande conflito entre o bem e o mal, desde o tempo em que a princípio se iniciou no Céu até o final da rebelião e extirpação total do pecado, é também uma demonstração do imutável amor de Deus”. (WHITE, 2015, p.33). Bancroft diz que: 

    É razoável acreditar-se que a morte de Cristo era necessária, pois doutro modo Deus Pai jamais teria sujeitado Seu Filho muito amado ao tremendo suplício da Cruz. Pois, se o Filho veio em resposta a um apaixonado amor remidor, veio, igualmente, em obediência filia, pois foi enviado pelo Pai, que preparou para Ele um corpo para Seu sacrifício sacerdotal (Hb 10:5–9). O próprio Jesus Cristo refere-se à Sua morte como necessidade. Diz Ele: E do modo por que Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado, para que todo o que nele crê tenha a vida eterna. (Jo 3:14, 15).

    Por  isso podemos dizer que a Cruz foi necessária porque foi o momento oportuno de Deus provar seu amor e que sempre esteve certo. Mostrar que sua lei pode ser guardada e traz liberdade a todas as criaturas do universo. Aproveitar esse momento não foi nada fácil para o Deus do céu que doou tudo e não reteve nada porque assim era necessário “a morte de Cristo sobre a cruz garantiu a destruição daquele que tem o poder da morte, o qual foi o originador do pecado. Quando Satanás for destruído, não haverá ninguém para tentar para o mal; a expiação jamais precisará ser repetida; e nenhum perigo haverá de outra rebelião no universo de Deus”. (WHITE, 1989) a mesma autora escreve que é conveniente que Aquele que criou todas as coisas, salvasse os pecadores pelo sangue do Cordeiro.

    “Embora imensurável pela mente finita, ambas, a razão e a revelação, asseveram que a penalidade pelo pecado não é mais do que aquilo que a santidade de Deus exige. Ela é a expressa autoridade judicial de Deus. É aquilo que Cristo satisfez”. (CHAFER, 2013, p.129-130).

    Por fim, é interessante reafirmarmos que a cruz sempre esteve nos planos de Deus e Ele decidiu pagar o preço da liberdade concedida a suas criaturas. Sua decisão custou tudo que o céu tinha de mais precioso e puro. “Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigos”. (Jo 15.13)

  • O Batismo de crianças na teologia de Santo Agostinho

    O Batismo de crianças na teologia de Santo Agostinho

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    O Batismo de crianças na teologia de Santo Agostinho

    I . INTRODUÇÃO

    Segundo o dicionário Oxford Languages, batismo é o primeiro sacramento do cristianismo, que apaga o pecado original de quem o recebe e a este confere o caráter de cristão, porém para os primeiros cristãos representava muito mais do que cancelamento de pecados e sim o começo de uma nova vida com Cristo. Paulo acrescenta que ”de sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida” (Rm 6:4). Esta afirmação bíblica nos dá uma ideia do que Paulo, e por fim os cristãos da época, pensavam sobre o assunto e seu enfoque principal está na vida nova que o converso adota para si e deve procurar manter esse foco para crescer em graça diante de Deus, ”porque, se fomos plantados juntamente com ele na semelhança da sua morte, também o seremos na da sua ressurreição” (Rm 6.25).

    É muito importante entender tais conceitos, portanto, falaremos neste artigo do surgimento da cerimônia e por que foi praticada e estabelecida como doutrina, a partir disso buscaremos entender as várias interpretações posteriores que surgiram ao longo do tempo, em especial o pensamento de Santo Agostinho sobre o tema e procurar entender, porque ele apoiava a ideia de que as crianças recém-nascidas precisam passar pela cerimônia.

    II. COMO SURGIU A BATISMO NA IGREJA PRIMITIVA

    Logo no começo do evangelho de Mateus, precisamente no capítulo 3 encontramos a perícope narrando o batismo de Jesus, porém vamos nos deter no trecho que fala a respeito de João Batista. O texto em questão diz o seguinte: ”Então ia ter com ele Jerusalém, e toda a Judéia, e toda a província adjacente ao Jordão; E eram por ele batizados no rio Jordão, confessando os seus pecados” (Mt 3.5-6). Note que João aparece (versículo 1) pregando no deserto da judeia e sua mensagem principal era o arrependimento dos pecados, palavra que pelo visto chamou muita atenção porque ia ter com ele Jerusalém, Judéia e todas as províncias situadas perto do Jordão, mostrando que sua mensagem tinha grande efeito (versículo 6). Agora estava acontecendo um dos eventos que iria marcar a história do cristianismo posteriormente, pode se dizer que essa foi a primeira vez que a bíblia menciona a cerimônia, e até mesmo a palavra batismo, mas de onde surgiu essa ideia de que era necessário batizar? Autores como Alisson comentam que,

    “Na igreja primitiva, os apóstolos seguiram o exemplo de seu Senhor para interpretar a Bíblia hebraica. Jesus havia empregado a tipologia, método que sublinhava a correspondência entre o que havia acontecido no Antigo Testamento (chamado tipo) e alguma coisa em sua própria época (chamada antitipo). De modo parecido, os autores do Novo Testamento usaram a tipologia. Assim, Adão é um tipo de Jesus Cristo, e ambos representam toda a humanidade (Rm 5.12-21). O dilúvio de Noé corresponde ao batismo cristão, em uma representação da salvação do julgamento divino (I Pe 3.18-22). (ALISSON, 2107, p. 194).

    O autor sugere que ao ler os textos bíblicos do AT chegavam a conclusões que os levava a acrescentar formas a cerimônias baseadas em alusões feitas a escritores bíblicos anteriores, dando evidência da forma atual das pessoas serem aceitas no reino de Deus.

    Um dos fatores que deu força a essa nova forma de aceitação no corpo de Cristo foi o progresso da doutrina do Deus trino e “a medida que a doutrina da Trindade ia sendo desenvolvida, a prática de batizar no nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo passava mais e mais a ser entendida à luz dessa doutrina”. (ALISSON, 2107, p. 278), no caso, a luz da doutrina do batismo. Isso fez com que a igreja primitiva aceitasse amplamente a cerimônia batismal como sendo de importância para novos conversos, o próprio batismo de Jesus se torna uma evidência clara de que batizar era uma ordenança que devia ser adicionada ao corpo de doutrinas da igreja, portanto, Ele foi batizado. Cumpriu em Seu batismo um propósito definido, porque “em seu batismo no rio Jordão — recebeu Cristo, que veio de cima e desceu (sobre ele) na forma de uma pomba” (ALISSON, 2107, p. 279). Recebeu em sua humanidade o dom do Espírito Santo (At. 2.38). Foi por essa razão, que consentiu que João o batizasse mostrando, que assim como Ele, nós necessitamos passar pela experiência para que nosso ministério junto ao corpo da igreja possa ser endossado pelo mesmo Espírito. Concluímos que, não só temos evidências, mas  o próprio Jesus foi quem instituiu a cerimônia do batismo e Dederen confirma quando fala sobre sacramento,  dizendo ser ”cerimônia religiosa instituída por Jesus Cristo, como o batismo, o Lava-pés e a Ceia do Senhor” (DEDEREN, 2011, p. 27). Isso é manifesto na forma como aconteceu o evento de Seu batismo ”e, sendo Jesus batizado, saiu logo da água, e eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito de Deus descendo como pomba e vindo sobre ele e eis que uma voz dos céus dizia: este é o meu Filho amado, em quem me comprazo” (Mt 3.16-17). Admitimos que, já existia uma forma de fazer parte do povo de Deus e era através  da circuncisão,  porém isso mudou, mas em que sentido? Dederen (2011)  diz que a circuncisão era tida como um sinal de pertencimento à comuni­dade judaica, substituída pelo batismo na igreja cristã. Nesses casos, o que foi alterado é a forma e não o significado, porém essa nova maneira de ingressar na igreja trouxe luz maior sobre o conceito de ser cristão para aqueles que aceitavam Jesus e essa luz ampliada ganha maior sentido vista da perspectiva de Paulo em Romanos 6.4 e de Dederen que diz: 

    “O rito do batismo é ministrado em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Esses três grandes poderes do Céu Se comprome­tem a ser a eficiência de todos quantos se submetem a essa ordenança e se mantêm fiel ao voto então prometido (MR6, 27)”  (DEDEREN, 2011, p. 202).

    Então, o batismo do mestre Jesus mostra que, além de ser o idealizador, foi também o exemplo perfeito para aqueles que desejam chegar a Ele.

    III. CIRCUNCISÃO E O BATISMO

    Como já mencionado, o batismo de certa forma substituiu a circuncisão praticada até então, porém o significado de ambos não foi alterado, porque ”todos quantos fariam parte da semente de Abraão descobriríam que Deus é seu Deus, e que eles são Seu povo. A circuncisão seria um sinal (Gn 17:11) desse correto e já existente relacionamento com Deus constituído pela fé (Gn 15:6; Rm 4:9-12)”. (DEDEREN, 2011. p.311). Assim se dá com o batismo onde o indivíduo é feito discípulo, é batizado numa apresentação pública diante da sua comunidade de crentes, em reconhecimento do seu novo relacionamento de fé com Deus. Uma coisa não vem antes da outra, porque para receber as bênçãos prometidas do céu é necessário aceitar de forma pessoal e racional os reclamos desse novo relacionamento, e para aqueles que podem, ser batizados nas águas, portanto  “aqueles que, pelo batismo, compro­meteram-se diante de Deus a exercer sua fé em Cristo e morrer para a velha vida de pecado, entraram numa relação de aliança com Deus” (DEDEREN, 2011, p. 202), o mesmo acontecia com a circuncisão que assim como o batismo era sinal de aliança com Ele. “Abraão foi declarado justo, não em virtude da circuncisão, mas em virtude da fé.” Justino Mártir, Dialoguewith Trypho, a Jew, 92, in: ANF, 1:245″. (ALLISON, 2017, p. 596), logo para ser justo diante de Deus não é a cerimônia que promove o milagre e sim a fé em Jesus, portanto circuncidar, como era no passado, ou batizar conforme praticado hoje, deve refletir a mudança que Deus operou anteriormente no coração. Ambas as cerimônias são colocadas como sinal exterior do que ocorreu no interior daquele que aceita viver uma vida com Deus, porém a circuncisão não existe mais porque foi substituída pelo batismo, sinal que trouxe ainda mais significado para todo aquele que ingressa pela fé na vida com o Filho de Deus, logo o batismo infantil praticado ainda hoje por algumas comunidades religiosas não faz muito sentido. Passaremos a analisar alguns argumentos apresentados para o estabelecimento dessa teologia, e como proposto a princípio, veremos quais argumentos Agostinha apresenta para validar esse pensamento.

    IV. O BATISMO DE CRIANÇAS

    O batismo de crianças recém-nascidas ganhou força na idade média e os pensadores da época tinha o seu modelo teológico que divergia em um ponto ou outro dos demais e  Agostinho desenvolveu o seu, ele diz:

    “atribuí aos desígnios ocultos de Deus ao terdes conhecimento do que acontece a crianças, as quais são portadoras do mal hereditário de Adão: enquanto umas são socorridas pelo batismo, outras não o são e morrem com essa mancha” (PATRÍSTICA VOL. 40, 1995, p. 45). 

    E diz mais: “é, portanto, certo dizer que as crianças que morrem sem batismo estarão na mais branda de todas as condenações”. (PATRÍSTICA VOL. 40, 1995, p. 45). Algo um tanto complicado de aceitar porque sua afirmação remete ao fato que tais crianças morrem sem esperança de salvação, ao contrário  White (2015) diz que os pais com  filhos e esses desejam ser batizados devem se atentar a alguns fatos. Ver se estão sendo um bom modelo e devem estar ensinando seriamente seus filhos, por ser o batismo uma cerimônia muito séria e sagrada, portanto, é importante entender o seu significado. Simboliza o arrependimento do pecado e uma nova vida em Cristo Jesus. Não deve haver precipitação neste ritual. Notamos que enquanto Agostinho apoia que deve haver batismo de crianças em tenra idade e que sem passarem pela cerimônia estão perdidas, White afirma que deve haver preparo dessas crianças, sugerindo que as mesmas devem tomar consciência dessa decisão,  jogando por terra o argumento de Agostinho. O próprio Jesus disse para deixar ir a ele os pequeninos e não os impeçais porque tais crianças desejavam, por si sós, chegar junto ao salvador, denotando um ato consciente da parte delas (Mt. 19.14). Não é mencionado uma única vez que Cristo tenha recebido crianças que ainda não tinham idade suficiente para entender a natureza do reino de Deus.

    Para Cipriano, em sua doutrina de batismo de recém nascidos, ”o batismo dos bebês é necessário, não porque os recém-nascidos tenham cometido qualquer pecado pessoal, mas porque herdaram o pecado e a morte do seu primeiro pai, Adão”. (ALISSON, 2017, p. 413) Seu pensamento entra em acordo com afirmação bíblica de Romanos 8.23 até o ponto em que todo recém-nascido herda o pecado original, ao que Paulo diz ”todos pecaram e carecem da glória de Deus” […] a morte passou a todos os homens porque todos pecaram” (Rm. 8.23, Rm 5.12). Agostinho aparentemente compartilhava da mesma ideia de pecado original, e também fundamentou sua teologia do batismo de infantes com base neste pensamento “ao sublinhar essa identidade comum entre Adão e a sua descendência, Agostinho desenvolveu seu argumento, já afirmado por seus predecessores, da solidariedade existente entre o primeiro homem e a humanidade como um todo.” (ALISSON, 2017, p. 418) Ele cria que todos os homens deveriam ser batizados em seu nascimento porque só assim estariam livres da condenação eterna e usou este argumento para provar sua posição, ele diz:  “[…] os seres humanos nascem e a condenação que — em virtude do pecado de Adão e da natureza herdada e corrompida que os leva a pecar sempre que agem — paira sobre todos os não batizados […]”. (ALLISON, 2017, p. 418), portanto é necessário que todos devessem ser batizados para enfim serem livres e desfrutarem das bênçãos que advêm dessa atitude, porém, no caso de Agostinho, os bebês  também, levadas por seus tutores, deviam ser batizados e para fundamentar sua posição usou por base Romanos 5.12.

    Dois argumentos ele propõe para realização do batismo de crianças, o primeiro tem de ver com a circuncisão e segundo com o pecado original que discutiremos logo a seguir. Sobre a circuncisão ele diz,

    ”E assim como em Isaac, que foi circuncidado no oitavo dia de seu nascimento, precedeu o sinal da justiça da fé e, porque imitou a fé de seu pai, veio em consequência a própria justiça, cujo sinal precedera na criança, assim nas crianças batizadas precede o sacramento da regeneração e, se mantiverem a piedade cristã, sobrevirá também a conversão em seu coração, cujo mistério precedeu no corpo” (PATRÍSTICA VOL. 42, 1995, p. 32).

    Ele coloca que por herdar de Adão o pecado original, “o batismo é necessário às crianças por causa do perdão do pecado original”  (PATRÍSTICA VOL. 42, 1995, p. 32), o que concorda com doutrina bíblica do pecado (Rm. 3.23), inclusive ele refuta alguns argumentos que dizem que o batismo deve ser ministrado a quem desse teologia, então ele conclui que por terem sido circuncidadas aos oito dias as crianças precisam ser batizadas assim que nascem, sendo que o batismo substituiu a circuncisão, um argumento plausível, porém que contradiz em sua essência o significado do batismo porque o batismo não torna cristãs as crianças, tampouco as converte; é apenas um sinal exterior que demonstra sentirem dever ser filhos de Deus, reconhecendo que creem em Jesus Cristo como seu Salvador e que daí por diante viverão para Ele.— Manuscrito 5, 1896″ (WHITE, 1954, p. 466-467). Note que a autora fala que tais crianças precisam reconhecer e crer, dando evidência de que tais já estão em idade suficiente para tomada dessa decisão. Jhon Piper também argumenta que “Se o Batismo fosse apenas um paralelo do rito do Antigo Testamento sobre a circuncisão não teria que acontecer pela fé, já que as crianças não recebiam a circuncisão pela fé” (PIPER, 2015, p.15), justamente por não terem condições de entender o seu significado, porem Agostinho acreditava que o batismo, além de sacramento, era essencial para entrada no reino de Deus, o que em parte recebe apoio das Escrituras e como visto anteriormente, aquele que  morresse sem estar batizado não seria salvo, logo, em sua perspectiva todos, adultos e crianças deviam ser batizadas (PATRÍSTICA VOL. 13, p. 09). 

    Há um porém, Agostinho também entendia que a fé vem antes do sacramento, veja seu argumento:

    “Portanto, assim como em Abraão precedeu a justiça da fé e aconteceu a circuncisão como sinal da justiça da fé, assim também em Cornélio precedeu a santificação espiritual no dom do Espírito Santo e aconteceu a santificação espiritual no dom do Espírito Santo, e veio depois o sacramento da regeneração no banho do batismo” (PATRÍSTICA VOL. 42, p. 31).

    Onde está então a discordância? O próprio argumento dele é usado para apoiar a ideia de batismo infantil, “para Agostinho, qualquer criança nascida no mundo estava contaminada com pecado, e o batismo era meio indispensável para resolver esse problema” (KELLY, 2015, p. 326-327), portanto, ele acreditava que por herdar de Adão o pecado original essas já nasciam em condenação, isso era motivo suficiente para que elas devessem ser batizadas, ao contrário de outros pensadores, como vimos anteriormente, que concordam que somente após certa idade e por escolha própria tais crianças poderiam passar pela cerimônia do batismo, como ele próprio afirma e determina,

    “A conclusão é que ou crianças precisam de salvação ou não entram no plano da salvação. No primeiro caso, não tendo pecados pessoais, têm o pecado original; no segundo, estão fora da salvação. Em todo caso, há o pecado que separa de Deus, e não existe reconciliação senão pelo único Mediador, de cuja morte e ressurreição se começa a fazer parte pelo batismo, que a Igreja desde muito cedo administrava às crianças” (PATRÍSTICA VOL. 40, p. 113).

    V. CONCLUSÃO

    Por fim, muito ainda se discute sobre natureza do batismo em seus vários aspectos, mas como procuramos esclarecer, não encontramos paralelo bíblico que apoie a doutrina do batismo de crianças recém-nascidas, mesmo que pensadores como Agostinho deem sua contribuição a favor, a hermenêutica bíblica desconstrói tais argumentações, pois não encontram nela apoio para se sustentar como uma doutrina válida. No Novo Testamento, por exemplo, não se vê nenhum comentário de seus escritores sobre o tema, embora o catolicismo moderno em seu catecismo argumenta que ”[…] é no entanto bem possível que, desde o princípio da pregação apostólica, quando «casas» inteiras receberam o Baptismo se tenham baptizado também as crianças” (LOYOLA, 2000, p. 394), um argumento plausível, mas que diante das referências bíblicas ou falta delas, mais se parece com uma dedução e segundo Piper (2107), até os dias dos pensadores da idade média, incluindo Agostinho, todos os batismos haviam sido batismos de crentes, não de bebês. A razão para não proceder dessa forma foi que o batismo é sinal de pertencer a nova aliança, constituída não por nascimento ou identidade étnica, mas, pelo arrependimento e fé em Jesus Cristo. 

    Referências:

    KELLY, J.N.D. Patrística: Origem e Desenvolvimento das Doutrinas da Fé Cristã. São Paulo – SP: Vida Nova, 2015. 

    Catecismo da Igreja Católica. São Paulo: Edição típica Vaticana, Loyola,

    2000. 

    PATRÍSTICA VOL. 40, Santo A. O Castigo E O Perdão Dos Pecados E O Batismo Das Crianças. São Paulo – SP: Paulus, 1995. 

    PATRÍSTICA VOL. 42, Santo A. O Castigo E O Perdão Dos Pecados E O Batismo Das Crianças. São Paulo: Paulus, 1995.

    PIPER, John. Uma série de estudos sobre o batismo. Minneapolis: Desiring God Foundation, 2015.

    WHITE, Ellen G. Orientação da Criança. Tatuí SP: Casa Publicadora Brasileira, 1954. 

    PATRÍSTICA VOL. 13, Santo A. A graça II. São Paulo: Paulus, 1995. 

    ALISSON, Gregg R. Teologia histórica: uma introdução ao desenvolvimento da doutrina cristã. São Paulo: Vida Nova, 2017.

    DEDEREN, R. Tratado de Teologia. Tatuí SP: Casa Publicadora Brasileira, 2011.

    ALMEIDA, João Ferreira de. Trad. A Bíblia Sagrada (revista e atualizada no Brasil) 2 ed. São Paulo. Sociedade Bíblica Brasileira, 1993.

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